Programa estadual subsidia a cobertura de pomares em SC

September 24, 2017

Prestes a completar um ano, o programa do governo do Estado que incentiva a cobertura de pomares de maçã, uva e frutas com caroço ainda tem baixa adesão entre os produtores catarinenses. De dezembro do ano passado, data em que o projeto foi lançado, até agora, apenas 40 agricultores teriam aderido à iniciativa. O número representa cerca de 1,4% dos 2,8 mil filiados da Associação dos Produtores de Maçã e Pêra de Santa Catarina (Amap). A ideia é que o projeto, por ser considerado mais duradouro segundo a Secretaria de Estado da Agricultura e Pesca, substitua o seguro agrícola no futuro.

 

No programa de cobertura dos pomares, o fruticultor que optar por instalar as telas de proteção na propriedade já cultivada terá até 2,5% dos juros anuais pagos pela Secretaria de Agricultura, sendo que o teto do financiamento é de R$ 120 mil e o prazo para pagamento é de no máximo oito anos. Os custos com a instalação das estruturas, segundo o Estado, chegam a R$ 40 mil por hectare.

 

Mesmo com a possibilidade de um programa substituir o outro, nas contas do presidente da Associação Brasileira de Produtores de Maçã, Pierre Péres, a troca seria vantajosa.

 

— É uma ferramenta muito boa, principalmente para os pequenos produtores, pois eles estabilizam a produção e economizam o dinheiro do seguro. Hoje ninguém mais pode esperar a boa vontade de São Pedro. O custo da maçã é muito alto para arriscar. Na região serrana, por exemplo, considerando cerca de R$ 5,5 mil por hectare do subsídio do governo com o seguro, o custo da lavoura toda fica em torno R$ 30 mil por hectare (anualmente) — cita.

 

Na mesma linha da avaliação de Péres, o presidente na Amap, Rogério Pereira, pondera que o número de adesões deve aumentar até a próxima safra, já que o programa ainda é considerado recente e o público-alvo, que são os pequenos produtores, representa cerca de 50% do total de fruticultores no Estado.

 

— É uma tela anti-granizo que pode garantir a produtividade da safra. Então, para o produtor que tiver condições, é um ótimo negócio. Ele vai economizar com o seguro. O que pagaria anualmente pelo serviço, vai pagar praticamente a parcela da cobertura de tela, que tem vida útil de uns 15 anos — afirma Pereira.

 

 

Pontos positivos e negativos das telas nas plantações

 

As telas produzidas em polipropileno têm outras vantagens além da proteção contra o granizo, destaca o engenheiro agrônomo e extensionista rural da Epagri de Bom Jardim da Serra Áquila Schneider. Segundo ele, no caso de geadas, o pomar coberto consegue manter uma temperatura de pelo menos dois graus acima do encontrado no lado externo, criando um microclima menos agressivo às árvores.

 

Outro ponto destacado por Schneider é a cor escolhida para as telas. Nas transparentes, que têm durabilidade de aproximadamente 10 anos, o sombreamento das macieiras fica em torno de 8%. Já nas de cor preta, que têm vida útil prolongada em 12 anos, esse índice também aumenta, ficando próximo de 16%.

 

— A redução na incidência de sol pode afetar a cor da fruta ao final do crescimento e deixá-la menos atraente aos olhos do consumidor. Em contrapartida, um pomar coberto tem melhor aproveitamento dos defensivos agrícolas aplicados, pois há menor perda do produto — pondera o engenheiro.

 

Os produtores que tiverem interesse em aderir ao programa ou dúvidas sobre o projeto devem procurar o escritório da Epagri mais próximo. No site www.epagri.sc.gov.br é possível pesquisar os endereços.

 

 

Mobilização na Serra busca soluções

 

Em outubro do ano passado, uma tempestade de granizo atingiu em cheio as plantações em Bom Jardim da Serra, município onde 65% da economia depende da produção de maçã. Claiton Zandonadi, 42 anos, foi um dos fruticultores prejudicados. A perda só não foi maior porque ele protegeu com tela metade dos 4,5 hectares, o que garantiu a safra do ano. A fruta que não foi atingida pelas pedras foi vendida a R$ 1,10 o quilo, enquanto as atingidas foram descartadas do mercado tradicional e renderam R$ 0,20 ao produtor.

 

Depois do sufoco enfrentado por parte dos 320 fruticultores da cidade, uma mobilização com o apoio da Epagri foi em busca de soluções. Em março deste ano, o projeto de cobertura do pomar a juro zero entrou em vigor, e outros seis produtores do município já estão aptos para financiar. Entre outubro e novembro deste ano, na nova janela de inscrições de projetos, pelo menos mais 10 pessoas devem se beneficiar do programa.

 

— Na época, eu acabei fazendo o financiamento sem o programa, mas foi vantajoso, pois o granizo de outubro resultou em grandes perdas. O produtor não pode contar com a sorte. Se houver duas safras consecutivas com granizo, ele não consegue dar a volta por cima — diz Zandonadi, que trabalha com maçã há 12 anos.

 

O custo do seguro também é considerado no momento de adquirir o programa. O fruticultor lembra que chegava a pagar R$ 10 mil ao ano por hectare, com o subsídio de 60% dos governos estadual e federal. Com o aumento das alíquotas do serviço, a opção é buscar novas tecnologias.

 

— Nesta safra, eu tive um lucro bruto de cerca de R$ 100 mil, sendo que R$ 80 mil foi somente da fruta boa e o restante da maçã machucada. Se eu estivesse com todo sistema funcionando, poderia ter dobrado a renda — diz.

 

 

 

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