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Brasil precisa de uma política governamental de seguro rural

As mudanças climáticas, cada vez mais frequentes em todo o mundo, afetam diretamente o setor agropecuário e, por isso, é necessária a criação de uma política governamental de seguro rural que traga segurança ao produtor brasileiro em caso de perdas na produção.


Esta foi a avaliação dos palestrantes do Seminário Internacional de Seguro Rural promovido na terça (23) pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).


No painel internacional, que contou com palestras sobre o cenário do seguro rural e a experiência com o tema em países como Chile, Estados Unidos, Espanha, México e Índia, foi destacado a importância da parceria público-privada para que o seguro rural vire uma política de estado e permita que a atividade agropecuária tenha continuidade.

“O número de pessoas afetadas por desastres naturais cresce a cada ano, com perdas de bilhões de dólares. Por isso, temos que segurar tudo, e no caso do agro, os governos do mundo já entenderam que isso é necessário”, afirmou Daniel Hammer, subscritor da Partner Re, que falou sobre o cenário do seguro rural no mundo.


Hammer ressaltou que os benefícios do seguro rural são muitos, principalmente porque é uma garantia de acesso ao crédito agrícola e à inovação tecnológica. “O seguro rural é fundamental para a continuidade das pessoas no agro. Com biotecnologia e agricultura de precisão será possível se adaptar às mudanças climáticas.”



Thomas Worth, atuário chefe da Agência de Riscos do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), apresentou a evolução do seguro rural no país e destacou a participação ativa dos produtores rurais nas diversas mudanças que o programa norte-americano sofreu desde a década de 1930 quando foi criado.

“Ainda há muitos desafios que precisamos resolver como áreas e culturas carentes de seguro rural no Nordeste do País, a agricultura urbana também. Mas o seguro rural é algo que vai durar para sempre e terá melhorias aos longos dos anos”, disse.


No País, a cobertura do seguro rural está disponível para diversas variedades de culturas, em que a maior parte do prêmio é paga por unidades empresariais e o prêmio do seguro, dividido entre agricultores e governo.



O modelo de seguro rural da Espanha também foi apresentado no seminário. Segundo Miguel Corrales, subscritor de riscos da Mapfre, o país, que sofre com mudanças climáticas severas, tem um sistema de seguro estável.


Ele destacou ainda a importância da parceria público-privada para esse tipo de seguro, que em sua opinião, é um indutor de tecnologia. “Na Espanha é necessário ter o mínimo de tecnologia para acessar o seguro rural, senão é agricultura de subsistência.”


Corrales reforçou a ação dos produtores para obter o seguro rural e disse que o marco legal do programa no país foi a criação da lei de seguro rural com caráter de política de estado. “O sistema espanhol é o que é hoje graças ao produtor rural que se empenhou e buscou o seguro.”




O consultor da Arche Re, Rolando Hernandez, apresentou os modelos do México e da Índia. Segundo ele, no México existem diferentes instrumentos de gestão de risco como a política de seguro agrícola, criada em 1941, e a lei de fundos, de 2005.


“O México tem uma longa tradição de seguro rural devido às mudanças climáticas. Temos mais de 400 fundos de seguro e seis empresas privadas que atendam o produtor. São mais de 2 milhões de hectares de área coberta por seguro comercial no país.”


Em relação à Índia, Hernandez afirmou que existem aproximadamente 300 milhões de agricultores em propriedades pequenos, com dois hectares. “O seguro rural é importante para os indianos porque sofrem significativo impacto na produção com o El Niño.”

Para mais informações acesse: https://www.cnabrasil.org.br/

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