Atingido por seca, milho do Paraná pode escapar de perdas pelo frio em 20/21

Se sofreu severas perdas pela tempo seco, o milho do Paraná possivelmente encerrará a temporada 2020/21 sem contabilizar prejuízos relevantes em função de geadas, uma ameaça que sempre preocupa o setor no segundo produtor brasileiro do cereal, no Estado que costuma sofrer mais os efeitos do frio, segundo especialistas.


“Não há previsão de geadas ao longo da semana, mesmo com possibilidade da entrada de mais uma massa de ar polar mais para o final da semana, assim que passar a frente fria”, disse o agrometeorologista Marco Antônio dos Santos, em boletim da Rural Clima nesta segunda-feira.


Embora o Hemisfério Sul esteja entrando oficialmente no inverno nesta segunda-feira, as áreas com maiores riscos de ocorrência de geadas já estão em fases da lavoura menos suscetíveis a perdas.


Segundo ele, o fato de não haver previsão de geadas para junho “já tira a possibilidade de novas quebras” por conta do clima –a cultura paranaense foi severamente afetada pela falta de chuva nos últimos meses.


A segunda safra do Paraná está estimada em 10,3 milhões de toneladas, conforme avaliação do final de maio que deverá ser atualizada nesta semana pelo Departamento de Economia Rural (Deral), do governo do Estado.


Antes do problema da seca, o Deral chegou a estimar a produção de milho segunda safra em mais de 13,5 milhões de toneladas, o que representaria um crescimento de 14% na comparação com o ciclo anterior.


“Descartamos qualquer possibilidade de uma quebra mais acentuada”, acrescentou Santos, em referência a eventuais riscos relacionados a geadas.


O especialista em milho do Deral, Edmar Gervásio, ponderou que o risco de perdas por geadas é “mínimo” no norte do Estado, que normalmente não sofre com geadas neste período.


No norte é justamente onde está grande parte da área de milho suscetível a perdas por geadas, nas fases de desenvolvimento/frutificação.


“Temos o maior volume de áreas (suscetíveis a perdas por geadas) no norte do Estado e historicamente não há geadas neste período”, comentou, minimizando os riscos para esta parte do Estado.


Mas ele apontou que ainda há risco de geadas para o milho da região oeste, e que as lavouras do Paraná como um todo só estariam praticamente livres de qualquer problema advindo do frio se não houver temperaturas congelantes nos próximos 20 dias.


Nesta safra, houve relatos de geadas para o milho da região sul/sudoeste do Estado, mas “situações muito pontuais que não refletem nos números gerais” como perdas pelo frio.


A região Sul do país deverá ter tempo nublado nesta semana, com possibilidade de chuvas na terça-feira.


Mas na maior parte do centro-sul brasileiro o clima ficará firme, favorecendo a colheita de milho, café e cana-de-açúcar, segundo a Rural Clima.



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