Causando prejuízos aos seringais, geadas ressaltam importância do seguro rural

Além das geadas, outro problema que afeta os seringais neste período do ano são as queimadas


Nas últimas semanas, nossa equipe de reportagem mostrou os efeitos das geadas sobre as plantações de café no interior de São Paulo. Contudo, várias outras culturas foram afetadas. Em Macaubal e União Paulista, interior de São Paulo, as geadas trouxeram um enorme prejuízo para o heveicultor João Luiz Berckmans, que possui um total de 40 mil e 30 mil plantas em cada município. “Em Macaubal foram afetadas 15 mil plantas, aproximadamente. Porém, ainda não sabemos a real magnitude dos estragos; apenas quando chover e vierem as brotações saberemos a real situação e percentual dos danos, que serão imensos. Em União Paulista foram afetadas cerca de 12 mil plantas”, relata.


As duas propriedades de Berckmans estavam em baixadas, e ele conta que adquiriu as propriedades já em fase adulta e não levou a questão em consideração. “Essa experiência de ter seringal em baixada, vem constatar as orientações técnicas de plantar na parte mais alta da propriedade. Custou caro passar por essa experiencia. Que sirva de lição para todos os produtores que irão plantar em novas áreas, observar bem esse item, pois a seringa é perene, isto é, por muito tempo de explotação”, declarou o produtor.


As temperaturas abaixo de zero em algumas regiões congelaram as seivas das plantas, resultando no rompimento dos vasos condutores e a consequente necrose dos tecidos. “Esta situação impactou os seringais da região de diferentes maneiras. Mas, apesar de termos identificado incidência de geada em todo o noroeste paulista, o impacto não foi generalizado; as áreas de baixada (próximas a córregos e rios) foram as mais castigadas. Infelizmente, também ocorreram registros inéditos em regiões que nunca haviam registrado condições extremas como essas”, explica Diogo Esperante, diretor executivo da APABOR (Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha).


Por conta desse risco, a APABOR reforça a importância do seguro rural, que cobre tanto os efeitos das geadas quanto os das queimadas, que se intensificam neste período de julho a setembro. “Com o dessecamento promovido pelas fortes geadas este ano em toda a cobertura vegetal do entorno dos seringais, temos agora verdadeiros ‘barris de pólvora’ no entorno de nossas propriedades. Ou seja, a cobertura vegetal que antes funcionava como zona de amortecimento para a propagação dos incêndios agora virou combustível. Essa combinação de crise pluviométrica, fortes ventos e dessecamento das coberturas florestais adjacentes aos seringais aumenta o risco e o potencial destrutivo dos incêndios nos seringais, por isso é bom ficar atento”, detalha Esperante.


O corretor de seguros especializado no Ramo de Florestas de Seringueira, Heitor de Melo Moreira explica que, mesmo estando fora da chamada “janela de contratação” para alguns dos subsídios concedidos pelo governo que ajudam a reduzir o custo dos seguros (que se encerraram no mês abril), é possível que o produtor desenvolva uma estratégia, combinando prazos de cobertura com os períodos de maior risco. “Desta forma, ainda assim, o produtor consegue reduzir seu custo e viabilizar a contratação de seguro para seu seringal”.



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