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Indenizações aumentam 132% este ano

Perdas nas lavouras por questões climáticas resultam em pagamentos de R$ 9,5 bi até agosto



O seguro rural enfrenta o cenário mais desafiador de toda a sua história. Depois de uma perda recorde em 2021, as seguradoras lidam novamente com prejuízos significativos em 2022, com danos nas lavouras de soja e milho, carros-chefes da produção de grãos. Em 2021, as indenizações pagas aos produtores totalizaram R$ 7,1 bilhões, alta de 94% em relação a 2020, segundo dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep), consolidados pela CNseg, a confederação nacional das seguradoras.


Cátia Rucco, superintendente de seguros agrícolas na Mapfre, afirma que 2022 continua sendo um ano difícil do ponto de vista climático, aumento do preço do seguro, inflação e alta do dólar, com impacto nos custos. Até agosto deste ano, as indenizações pagas já somam R$ 9,5 bilhões, alta de 131,6%. Para se ter uma ideia, esse valor é maior do que as seguradoras arrecadaram nos primeiros oito meses de 2022, de R$ 8,9 bilhões, 45,4% maior comparado ao mesmo período do ano anterior.


“Os produtores que receberam suas indenizações ficaram aliviados e buscam renovar o seguro. Os que não contrataram apólices, conscientizaram-se da importância de ter a proteção para mitigar perdas”, comenta Rucco.


As seguradoras têm dado prioridade em agilizar o pagamento das indenizações aos agricultores, bem como visitar os resseguradores, responsáveis pelo seguro das seguradoras, para iniciar a venda de apólices para a nova safra. “O resseguro é parte determinante neste processo e a reprecificação é um fato natural, em função das perdas dos últimos anos”, afirma Paulo Hora, superintendente de seguros rurais da Brasilseg, líder absoluta em seguro rural.


“Assim como os subsídios, que precisam avançar e garantir volume adequado e previsibilidade, uma vez que o seguro agrícola já se mostrou indispensável para o desenvolvendo da agricultura e mecanismo concreto de gestão de risco no campo”, observa Hora.


A luta do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) nos últimos anos tem sido incessante para atender a demanda do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). O ministro da Agricultura, Marcos Montes, em entrevista recente ao Valor, reforçou que a necessidade para 2022 é de R$ 1,5 bilhão em recursos, ante os R$ 990 milhões disponibilizados até agora e já esgotados.


“Precisamos que se confirme para o ano que vem recursos do PSR na ordem de R$ 2,2 bilhões para garantir o seguro rural para a safra brasileira, que tem salvado o PIB”, afirma Laura Neves, CEO da AgroBrasil Seguros, braço da Essor Seguros.


Segundo Neves, na última reunião com o secretário de Política Agrícola do Mapa, Guilherme Bastos, em julho, o setor solicitou que ela levasse aos novos eleitos - deputados estaduais, federais e governadores - para que suas regiões desenvolvam o seguro rural com programas próprios de fomento para os produtores rurais a nível estadual e municipal. “Estamos confiantes nesta jornada. Temos que procurar novos desenhos de produtos, inovar, dimensionar, achar o equilíbrio que impacta no sinistro do produtor”, sugere Neves.


“Com o país mais equilibrado do ponto de vista econômico e juros mais baixos, recursos que hoje vão para equalização do crédito rural poderão ser destinados à subvenção”, afirma Leonardo Paixão, CEO da Sombrero Seguros, companhia que escapou de perdas por ingressar no mercado em janeiro deste ano. “Mesmo com o desafio pela escassez de resseguro e de recursos públicos da subvenção, o primeiro ano de operação foi positivo para nós”, conta.


Mesmo tão jovem, com apenas oito meses, a Sombrero já está na lista das cinco principais seguradoras do ramo agrícola no Brasil. Mas sabe que para garantir a sustentabilidade da operação tem de ampliar a oferta de produtos tradicionais e redobrar a aposta em inovação. “Já temos um seguro diferenciado, baseado em tecnologia proprietária, que está iniciando os testes em um projeto piloto no Rio Grande do Sul”, afirma.


Os resseguradores, por sua vez, recomendam às seguradoras diversificação para obterem capital e taxas melhores para os produtores. “A Swiss Re entende que este é um momento importante para o mercado na busca do equilíbrio da carteira, com esforço na dispersão geográfica e diversificação de produtos para proporcionar longevidade ao negócio”, argumenta o presidente da Swiss Re Brasil Resseguros, Fred Knapp.



Para mais informações acesse: https://valor.globo.com/

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